domingo, 29 de novembro de 2015

Egas Moniz (1874 - 1955)


António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz nasceu a 29 de novembro de 1874 em Estarreja e destacou-se como médico neurologista, investigador, político e escritor, tendo sido galardoado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina (partilhado com Walter Rudolf Hess) em 1949.
Completou a instrução primária na Escola do Padre José Ramos, em Pardilhó, e o Curso Liceal  em Louriçal do Campo, concelho de Castelo Branco. Formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, onde começou por ser lente substituto, leccionando anatomia e fisiologia. Em 1911 foi transferido para a recém-criada Faculdade de Medicina da universidade de Lisboa onde foi ocupar a cátedra de neurologia como professor catedrático. Reformou-se em fevereiro de 1944.
Em 1950 é fundado, no Hospital Júlio de Matos, o Centro de Estudos Egas Moniz, do qual é presidente. O Centro de Estudos é, em 1957 transferido para o serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria onde existe ainda hoje compreendendo, entre outros, o Museu Egas Moniz (onde se encontra uma restituição do seu gabinete de trabalho com as peças originais, vários manuscritos, entre outros).
Egas Moniz contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da medicina ao conseguir pela primeira vez dar visibilidade às artérias do cérebro. A Angiografia Cerebral, que descobriu após longas experiências com raios X, tornou possível localizar neoplasias, aneurisma, hemorrogias e outras mal-formações no cérebro humano e abriu novos caminhos para a cirurgia cerebral.
As suas descobertas clínicas foram reconhecidas pelos grandes neurologistas da época, que admiravam a acuidade das suas análises e observações.
A 5 de Outubro de 1928 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Benemerência a 3 de Março de 1945 com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'lago da Espada.
Egas Moniz teve também papel activo na vida política. Foi fundador do Partido Republicano Centrista, dissidência do Partido Evolucionista; apoiou o breve regime de Sidónio Pais, durante o qual exerceu as funções de Embaixador de Portugal em Madrid (1917) e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1918); viu entretanto o seu partido fundir-se com  o Partido Sidonista. Foi ainda um notável escritor e autor de uma notável obra literária, de onde se destacam as obras "A nossa casa" e "Confidências de um investigador científico". É também autor de um notável ensaio de crítica literária, "Júlio Dinis e a sua obra" (1924), onde demonstra que o escritor Júlio Dinis se inspirou em personagens reais oriundas de Ovar na criação das figuras principais dos seus romances "A Morgadinha dos Canaviais" e "Pupilas do Senhor Reitor". Egas Moniz também escreveu sobre pintura e reuniu uma notável colecção de pintura naturalista, actualmente aberta ao público na Casa-Museu Egas Moniz, em Estarreja, onde se destacam obras de Silva Porto, José Malhoa e Carlos Reis, além de peças de louça, prata e mobiliário de variada proveniência, testemunho o seu grande interesse e apurado gosto pelas artes plásticas e decorativas.
Egas Moniz faleceu em Lisboa, a 13 de Dezembro de 1955.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Margarida de Abreu


Margarida de Abreu nasceu a 26 de novembro de 1915 em Lisboa e destacou-se como coreografa.
Em 1932 viaja para Genebra, Suíça, onde frequenta o Institut Jacques Dalcroze. Prossegue os seus estudos no Deutsche Tanz Schule em Berlim e no Hellerau Laxemburg Schule em Viena. Em 1937 e 1938 frequenta estágios de ensino no Sadler’s Wells(hoje denominado Royal Ballet School).
Regressa a Portugal em 1939 para ensinar dança no curso de Teatro do Conservatório Nacional onde leccionará até se reformar, em 1986.
Em 1946 editou o seu Manifesto numa tiragem de 500 exemplares pela Bertrand Irmãos onde define a Dança como "Plástica da atitude, expressão da máscara, harmonia do movimento, contraponto do gesto, sugestão do ambiente.", onde caracteriza o Bailado como "Associação íntima e quase orquestral de dança, música, espírito e decoração" e onde levanta a ponta do véu para o início dos trabalhos do Circulo de Iniciação Coreográfica (CIC) criado por si e que começou atividade nesse mesmo ano ("...é o programa original da escola." […] "Mas vai fazê-lo com tanto entusiasmo e tanta fé que talvez o futuro não tenha ânimo de atraiçoar tão nobre ideal."). O CIC foi criado com vista a divulgar o bailado clássico através de espectáculos, colaboração em temporadas de Ópera e formação de intérpretes.
Entre 1946 e 1960 , percorre salas de todo o país com cerca de 40 espectáculos: Lisboa (13), Coimbra (5), Torres Novas (3), Leiria (2), Castelo Branco (2), Beja (2), Santarém,Caldas da Rainha, Algés, Covilhã, Sintra, Almada, Guimarães, Queluz, Bragança, Ovar e São João da Madeira. Entre estes, o CIC colaborou em Temporadas de Ópera no Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) (1947/49/50) e no Coliseu de Lisboa (CL)(1952/53/54/55).
Em 1960 é convidada a remodelar e co-dirigir a Companhia de bailado Verde Gaio juntamente com o seu ex-aluno Fernando Lima, actividade que durará até 1978.
Entre 1964 e 1972 integra o Centro de Estudos de Bailado (CEB) do Instituto de Alta Cultura (vulgo Escola de Bailado do TNSC), enquanto coreógrafa.
Em 1986 reforma-se da sua actividade no Conservatório Nacional e cria o "Grupo Studium Margarida de Abreu", com sede em Lisboa.
Em 1988 colabora como coreógrafa no filme Os Canibais, sob direcção de Manoel de Oliveira e em 1992, também como coreógrafa, colabora no filme Aqui D'El Rei!, de António-Pedro Vasconcelos.
Margarida de Abreu faleceu a 29 de Setembro de 2006, em Lisboa

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

D. Beatriz 1.ª Duquesa de Beja


A Infanta Beatriz nasceu em 1433 é filha do príncipe D.João, irmão do rei D. Duarte, neta do Mestre de Avis (D. João I), bisneta do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, tia de Isabel “A Católica” (Espanha).
Casou, com o seu primo, o Infante D. Fernando, 1.º Duque de Beja, filho do Rei D. Duarte.
Após a morte do marido em 1470, D.ª Beatriz fica com a responsabilidade de uma das casas mais poderosas de Portugal.
Por morte de D. Diogo, 3.º Duque de Beja, às mãos de D. João II, assume a governação do Ducado.
Teve um papel ativo na política dos reinados de D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I. Ajudou a concretizar as pazes com Castela encontrando-se pessoalmente com Isabel, a Católica, acontecimento que conduziu à assinatura do Tratado de Alcáçovas e Terçarias de Moura. Foi também preponderante na gestão da Ordem de Santiago atuando como tutora de seu filho D. Diogo. Nesta qualidade, também foi nomeada pelo Papa como governadora da Ordem de Cristo, tendo sido a única mulher a desempenhar este cargo.
Refira-se que D.ª Beatriz foi mãe de Leonor de Portugal (esposa de D. João II que reino de 1481 a 1495) e de Manuel (D. Manuel I que reinou de 1495 a 1521).
D.ª Beatriz faleceu em 1506 e encontra-se sepultada no Convento Nossa Senhora da Conceição em Beja.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Álvaro Cunhal (1913 - 2005)



Álvaro Barreirinhas Cunhal nasceu em Coimbra a 10 de novembro de 1913 em Coimbra (Sé Nova) e destacou-se como político e escritor. Na sua atividade foi dos mais conhecidos resistentes ao Estado Novo.
Passou a infância em Seia, de onde o pai era natural. O pai retirou-o da escola primária porque não queria que o filho «aprendesse com uma professora primária autoritária e a menina-de-cinco-olhos».
Aos onze anos, mudou-se com a família para Lisboa, onde frequentou o Liceu Camões. Daí seguiu para a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde iniciou a sua actividade revolucionária.
Em 1931, com dezassete anos, filia-se no PCP - Partido Comunista Português e integra a Liga dos Amigos da URSS e o Socorro Vermelho Internacional. Em 1934 é eleito representante dos estudantes no Senado da Universidade de Lisboa. Em 1935 chega a secretário-geral da Federação das Juventudes Comunistas. Em 1936, após uma visita à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), é cooptado para o Comité Central do PCP. Ao longo da década de 30, colaborou com vários jornais e revistas como a Seara Nova e o O Diabo, e nas publicações clandestinas do PCP, o Avante e O Militante, com vários artigos de intervenção.
Em 1940, Cunhal é escoltado pela polícia à Faculdade de Direito, onde apresenta a sua tese da licenciatura em Direito, sobre a temática do aborto e a sua despenalização, tema pouco vulgar para a época em questão. A sua tese, apesar do contexto político pouco favorável, foi classificada com dezasseis valores. Do júri fazia parte Marcello Caetano.
Devido aos seus ideais comunistas e à sua assumida e oposição à ditadura, esteve preso num total de 15 anos, 8 dos quais em completo isolamento sem nunca, incrivelmente, ter perdido a noção do tempo. Mesmo sob violenta tortura, nunca falou. Na prisão, como forma de passar o tempo, dedicou-se à pintura e à escrita. Uma das suas produções mais notáveis aquando da sua prisão, foi a tradução e ilustração da obra Rei Lear, de William Shakespeare.
Em 1962 é enviado pelo PCP para o estrangeiro, primeiro para Moscovo, depois para Paris.
Ocupou o cargo de secretário-geral do PCP, sucedendo a Bento Gonçalves, entre 1961 e 1992, tendo sido substituído por Carlos Carvalhas.
Em 1968 Álvaro Cunhal presidiu à Conferência dos Partidos Comunistas da Europa Ocidental, o que é revelador da influência que já nessa altura detinha no movimento comunista internacional. Neste encontro, mostrou-se um dos mais firmes apoiantes da invasão da então Checoslováquia pelos tanques do Pacto de Varsóvia, ocorrida nesse mesmo ano.
Entretanto, foi condecorado com a Ordem da Revolução de Outubro.
Regressou a Portugal cinco dias depois do 25 de Abril de 1974.
Foi ministro sem pasta no I, II, III e IV governos provisórios e também deputado à Assembleia da República entre 1975 e 1992.
Em 1982, tornou-se membro do Conselho de Estado, abandonando estas funções dez anos depois, quando saiu da liderança do PCP.
Além das suas funções na direcção partidária, foi romancista e pintor, escrevendo sob o pseudónimo de Manuel Tiago, o que só revelou em 1995.
Em 1989 Álvaro Cunhal foi à URSS para ser operado a um aneurisma da aorta, sendo recebido em Moscovo por Mikhail Gorbatchov o qual o agraciou com a Ordem de Lenine. Nos últimos anos da sua vida sofreu de glaucoma, acabando por cegar.
Faleceu em 13 de junho de 2005 e no seu funeral (15 de junho), participaram mais de 250.000 pessoas. Por sua vontade, o corpo foi cremado.

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