terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Alves Redol (1911 - 1969)


António Alves Redol nasceu em Vila Franca de Xira a 29 de dezembro de 1911 e destacou-se como escritor sendo considerado como um dos expoentes máximos do neo-realismo português. No centenário do seu nascimento foi emitido um selo para assinalar a data.
Alves Redol tem a sua origem nos espaços rurais (infância marcada pela pobreza, já que o seu pai era um comerciante de pequeno porte). Em função disso, começou desde cedo a trabalhar. Presencia, desde essa altura, as péssimas condições de vida do homem rural, o que mais tarde, vai se refletir, preponderantemente, na sua escrita.
Postal com selo alusivo a Alves Redol e carimbo de 1.º dia de emissão

Inicialmente, almejava ser médico, mas, devido à influência do seu avô, bem como do contato e da admiração pelos jornalistas e escritores, passa a aspirar o ingresso no âmbito da escrita. Inicia-se nessa esfera aos 12 anos. Quando completa 14 anos, começa a colaborar com textos para semanários e jornais. Trabalha, inicialmente, como vendedor de mercearias.
Quando completa 16 anos, em 1928, vai para África (Angola na cidade de Luanda), onde exerce, primeiramente, a função de operário, trabalhando em seguida numa fazenda, com o objectivo de conseguir novas e melhores perspectivas de vida futura. Contudo, depara, nessa região, com uma intensa situação de miséria e pobreza.
Quando regressa a Portugal, passa a trabalhar como vendedor de camiões, carros, pneus e óleos. Também leccionou Língua Portuguesa. Adere aos ideais do PCP - Partido Comunista Português e do Movimentos de Unidade Democrática, contrapondo-se, veemente, à conjuntura política da época, trazendo à tona diversas questões “esquecidas”.
Em virtude de sua convivência com as péssimas condições de vida das camadas rurais e de vivenciar duplamente essas condições (na infância e na juventude), volta seu olhar para a dimensão social, mais especificamente, para as questões de reivindicação de mudança social. A essa altura, reafirma a sua vocação para a escrita. Cria a Secção “De sol a sol”, no jornal O Diabo, em que passa a publicar textos voltados para as tensões sociais, contrapondo-se, assim, aos ideais de exploração dos regimes totalitários.
Fillus 2002 sinaliza o facto de a crise económica da década de 1920 ocasionar uma serie de problemáticas sociais, tais como: desemprego, fome, miséria e, sobretudo, a crise do capitalismo. Diante dessa quadro, eclodem os regimes totalitários (no solo português, o Salazarismo), iniciando uma intensa repressão, censura e exploração das classes minoritárias.
Tendo como pano de fundo esse contexto, surge o Neorrealismo, uma literatura de cunho político, que se opõe, veementemente, à opressão dos regimes totalitários. Eclode, assim, um novo conceito de arte numa perspectiva de consciencialização, acompanhada de novo papel social para o artista enquanto defensor da sociedade que busca melhorias a partir da ampliação da visão de mundo .
Isso entra em sintonia com Fillus 2002, pp. 127, que diz que o “movimento neorrealista corresponde a uma nova tomada de consciência da sociedade portuguesa”. Dentre os autores que defendem uma criação literária de denuncias das condições de exploração do povo (em sua grande diversidade), está Alves Redol.
Figueiredo 2005 sinaliza o facto de a obra de Redol estar directamente ligada às questões económicas, políticas, sociais e culturais respeitantes ao mundo do autor. Ou seja, seus escritos voltam se para uma perspectiva de cunho social, primando, sobretudo, pela crítica ao Regime de Salazar, transformando suas obras em instrumento de intervenção social. Um aspecto que ilustra esse viés é o facto de esse autor não se restringir ao uso de histórias de ficção, mas, acima de tudo, lançar mão de histórias que focam na realidade social circundante. Algumas dessas temáticas que até então eram ignoradas.
Em vista disso, Redol sofre repressão da ditadura militar, chegando até a ser preso e torturado. Ao lançar mão dessa postura de preocupação social, ele toma como base alguns ideais do marxismo e do socialismo, empregando-os em sua escrita os pressupostos de autores revolucionários clássicos tais como: MarxEngelsLenineLefebvre,Bukiharini e Friedman. E, à luz desses escritores adeptos do Marxismo e do Socialismo, Redol passa a abordar as condições de vida dos trabalhadores que viviam à margem da sociedade por conta de uma exploração desumana. Para tanto, ele retrata os diversos profissionais rurais e urbanos (destacando seus inúmeros grupos), suas práticas corriqueiras do dia a dia e, sobretudo, suas péssimas condições de vida em decorrência do capitalismo.
Inúmeros aspectos expostos na obra de Redol refletirem suas vivências particulares. Partindo desse pressuposto, ele não só apresentava as mazelas a que era submetido esse povo, mas, sobretudo, evidenciava sua natureza. Com isso, as personagens do romancista, em geral, são apresentadas, de forma que suas individualidades sejam expostas. Contudo, reflectem um todo na mesma condição. Isso, de certa forma, evidencia uma dicotomia (individual vs colectivo). Em alguns casos, ele até estabelece comparações entre o animal e o homem, em vista das péssimas condições de vida deste último. Porém, ao apresentar essa faceta, lança mão de uma crítica e de um discurso velado, em função da repressão política. Isto é, pelo fato de a literatura estar silenciada por conta da opressão, ele adéqua sua linguagem, escrevendo de forma não explícita. Em outras palavras, ele revela sua preocupação social, suas ideologias subjacentes e seu não-ditos, por intermédio de uma linguagem nem sempre objetiva e direta. Destaca-se, ainda, o fato de tal autor trabalhar em constante renovação do seu estilo de escrita.
A obra de Redol é amparada por uma perspectiva social, primando pela abordagem de aspectos sócio-políticos e econômicos, focalizando, em especial, personagens que reflectem a diversidade dos grupos da sociedade portuguesa (rural e urbana). Apesar de suas obras serem pautadas de uma perspectiva de junção de fatores, elegendo como objeto de estudo o romance, a dramaturgia, obras voltadas para crianças e jovens, destaca-se, sobretudo, a temática da preocupação social, evidenciando a desigualdade intensa na distribuição da rendas. Daí provém sua importância enquanto escrito neorrealista. Não só por “iniciar uma nova estética literária no século XX”, mas, sobretudo, por voltar seu olhar para o sofrimento do povo [a questão da exploração a que eram submetidos as pessoas das classes baixas, condições de vida, miséria, fome, prostituição etc..].
Alves Redol faleceu em Lisboa a 29 de novembro de 1969.
Retirado de: https://pt.wikipedia.org/wiki/Alves_Redol

Sobrescrito circulado com carimbo comemorativo e selo alusivo a Alves Redol


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

D. Maria I (1734 - 1816)


D. Maria I nasceu em Lisboa, a 17 de Dezembro de 1734, recebendo o nome de batismo de Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana e destacou-se como Rainha de Portugal.
Durante o seu reinado houve uma atividade legislativa é notável, sobretudo no que diz respeito à gestão económica, deu-se um impulso à cultura tendo-se procedido à criação de numerosas instituições, refira-se ainda a assinatura do Tratados de Santo Ildefonso, de Outubro de 1777, tratado preliminar de delimitação das zonas portuguesa e espanhola na América do Sul.
Por sofrer de doença mental foi afastada dos negócios públicos em princípios de 1792, tendo o príncipe D. João tomado conta do governo em nome de sua mãe até 1799.
D. Maria faleceu no Rio de Janeiro, a 20 de Março de 1816, estando sepultada na Basílica da Estrela em Portugal.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Elisabeth Schwarzkopf (1915 - 2006) - centenário do nascimento


Olga Maria Elisabeth Friederike Schwarzkopf, nasceu a 9 de dezembro de 1915, em Jarotsching, na província de Posen, na Prússia (atual Polónia) e destacou-se como cantora de ópera. No período pós-Segunda Guerra Mundial foi considerada mundialmente como uma das melhores cantoras soprano.
Ao longo da sua carreira recebeu inúmeros prémios referindo-se aqui os quatro últimos: 1986 -  Comendadora da Ordem das Artes e das Letras; 1991 - UNESCO Medalha Mozart; 1992 – Comendadora da Ordem dos Serviços da Música para o Império Britânico; 2002 – Medalha Dama Honorária da Cidade de Viena.
Schwarzkopf morreu 3 de agosto de 2006 na sua casa em Schruns, Vorarlberg, Áustria.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Jean Sibelius (1865 - 1957)


Johan Julius Christian Sibelius, conhecido como Jean Sibelius nasceu a 8 de dezembro de 1865 Hämeenlinna (Finlândia) e destacou-se como compositor de música erudita, e um dos mais populares compositores do fim do século XIX e início do XX. Sua música também teve importante papel na formação da identidade nacional finlandesa.
Parte importante da música de Sibelius é sua coleção de sete sinfonias. Assim como Beethoven, Sibelius usou cada uma delas para trabalhar uma ideia musical e/ou desenvolver seu próprio estilo.
Sibelius faleceu em Järvenpää (Finlândia) a 20 de setembro de 1957.



Florbela Espanca (1894 - 1930)


Flor Bela Lobo nasceu em Vila Viçosa a 8 de dezembro de 1894 e destacou-se como escritora
Florbela apesar de ser mais reconhecida como poeta escreveu poesia, contos, um diário e epístolas; traduziu vários romances e colaborou ao longo da sua vida em revistas e jornais de diversa índole. Contudo, é à sua poesia, quase sempre em forma de soneto, que ela deve a fama e o reconhecimento. A temática abordada é principalmente amorosa dando destaque a sentimentos como solidão, tristeza, saudade, sedução, desejo e morte. A sua obra abrange também poemas de sentido patriótico,como o soneto "No meu Alentejo" é uma glorificação da terra natal da autora.
Florbela Espanca faleceu em Matosinhos a 8 de dezembro de 1930.
Sobrescrito com selo alusivo a Florbela Espanca e carimbo de 1.º dia de circulação referente aos Vultos da História e da Cultura de 2014

domingo, 6 de dezembro de 2015

D. Afonso Henriques (1109 - 1185)


Afonso I de Portugal (D. Afonso Henriques) nasceu em 1109 em local ainda não determinado e destacou-se na história como o fundador de Portugal.
Filho de D. Henrique de Borgonha e D. Teresa de Leão, condes de Portugal(condado vassalo do Reino de Leão).
Após a morte de seu pai tomou uma posição diferente de sua mãe, que se aliara que se aliara ao nobre galego Fernão Peres de Trava e assumiu o domínio do condado após vencer a batalha de S. Mamede em 1128.
Concentrou então os esforços em obter o reconhecimento como reino. Em 1140, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente mouro, D. Afonso Henriques proclamou-se Rei de Portugal com o apoio das suas tropas.Contudo, Portugal apesar de já ter sido assinado o Tratado de Zamora (que tornou Condado Portucalense independente do Reino de Leão) só vem a ser reconhecido pelo Papa Alexandre III em 1179 vendo assim reconhecida a sua independência e efectivando-se assim o título de Reino.
D. Afonso I faleceu em Coimbra a 6 de dezembro de 1185.
Fragmento de sobrescrito com selo e carimbo comemorativo alusivo a D. Afonso Henriques




Informação do texto retirada de: https://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_I_de_Portugal

domingo, 29 de novembro de 2015

Egas Moniz (1874 - 1955)


António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz nasceu a 29 de novembro de 1874 em Estarreja e destacou-se como médico neurologista, investigador, político e escritor, tendo sido galardoado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina (partilhado com Walter Rudolf Hess) em 1949.
Completou a instrução primária na Escola do Padre José Ramos, em Pardilhó, e o Curso Liceal  em Louriçal do Campo, concelho de Castelo Branco. Formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra, onde começou por ser lente substituto, leccionando anatomia e fisiologia. Em 1911 foi transferido para a recém-criada Faculdade de Medicina da universidade de Lisboa onde foi ocupar a cátedra de neurologia como professor catedrático. Reformou-se em fevereiro de 1944.
Em 1950 é fundado, no Hospital Júlio de Matos, o Centro de Estudos Egas Moniz, do qual é presidente. O Centro de Estudos é, em 1957 transferido para o serviço de Neurologia do Hospital de Santa Maria onde existe ainda hoje compreendendo, entre outros, o Museu Egas Moniz (onde se encontra uma restituição do seu gabinete de trabalho com as peças originais, vários manuscritos, entre outros).
Egas Moniz contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da medicina ao conseguir pela primeira vez dar visibilidade às artérias do cérebro. A Angiografia Cerebral, que descobriu após longas experiências com raios X, tornou possível localizar neoplasias, aneurisma, hemorrogias e outras mal-formações no cérebro humano e abriu novos caminhos para a cirurgia cerebral.
As suas descobertas clínicas foram reconhecidas pelos grandes neurologistas da época, que admiravam a acuidade das suas análises e observações.
A 5 de Outubro de 1928 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Benemerência a 3 de Março de 1945 com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant'lago da Espada.
Egas Moniz teve também papel activo na vida política. Foi fundador do Partido Republicano Centrista, dissidência do Partido Evolucionista; apoiou o breve regime de Sidónio Pais, durante o qual exerceu as funções de Embaixador de Portugal em Madrid (1917) e Ministro dos Negócios Estrangeiros (1918); viu entretanto o seu partido fundir-se com  o Partido Sidonista. Foi ainda um notável escritor e autor de uma notável obra literária, de onde se destacam as obras "A nossa casa" e "Confidências de um investigador científico". É também autor de um notável ensaio de crítica literária, "Júlio Dinis e a sua obra" (1924), onde demonstra que o escritor Júlio Dinis se inspirou em personagens reais oriundas de Ovar na criação das figuras principais dos seus romances "A Morgadinha dos Canaviais" e "Pupilas do Senhor Reitor". Egas Moniz também escreveu sobre pintura e reuniu uma notável colecção de pintura naturalista, actualmente aberta ao público na Casa-Museu Egas Moniz, em Estarreja, onde se destacam obras de Silva Porto, José Malhoa e Carlos Reis, além de peças de louça, prata e mobiliário de variada proveniência, testemunho o seu grande interesse e apurado gosto pelas artes plásticas e decorativas.
Egas Moniz faleceu em Lisboa, a 13 de Dezembro de 1955.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Margarida de Abreu


Margarida de Abreu nasceu a 26 de novembro de 1915 em Lisboa e destacou-se como coreografa.
Em 1932 viaja para Genebra, Suíça, onde frequenta o Institut Jacques Dalcroze. Prossegue os seus estudos no Deutsche Tanz Schule em Berlim e no Hellerau Laxemburg Schule em Viena. Em 1937 e 1938 frequenta estágios de ensino no Sadler’s Wells(hoje denominado Royal Ballet School).
Regressa a Portugal em 1939 para ensinar dança no curso de Teatro do Conservatório Nacional onde leccionará até se reformar, em 1986.
Em 1946 editou o seu Manifesto numa tiragem de 500 exemplares pela Bertrand Irmãos onde define a Dança como "Plástica da atitude, expressão da máscara, harmonia do movimento, contraponto do gesto, sugestão do ambiente.", onde caracteriza o Bailado como "Associação íntima e quase orquestral de dança, música, espírito e decoração" e onde levanta a ponta do véu para o início dos trabalhos do Circulo de Iniciação Coreográfica (CIC) criado por si e que começou atividade nesse mesmo ano ("...é o programa original da escola." […] "Mas vai fazê-lo com tanto entusiasmo e tanta fé que talvez o futuro não tenha ânimo de atraiçoar tão nobre ideal."). O CIC foi criado com vista a divulgar o bailado clássico através de espectáculos, colaboração em temporadas de Ópera e formação de intérpretes.
Entre 1946 e 1960 , percorre salas de todo o país com cerca de 40 espectáculos: Lisboa (13), Coimbra (5), Torres Novas (3), Leiria (2), Castelo Branco (2), Beja (2), Santarém,Caldas da Rainha, Algés, Covilhã, Sintra, Almada, Guimarães, Queluz, Bragança, Ovar e São João da Madeira. Entre estes, o CIC colaborou em Temporadas de Ópera no Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) (1947/49/50) e no Coliseu de Lisboa (CL)(1952/53/54/55).
Em 1960 é convidada a remodelar e co-dirigir a Companhia de bailado Verde Gaio juntamente com o seu ex-aluno Fernando Lima, actividade que durará até 1978.
Entre 1964 e 1972 integra o Centro de Estudos de Bailado (CEB) do Instituto de Alta Cultura (vulgo Escola de Bailado do TNSC), enquanto coreógrafa.
Em 1986 reforma-se da sua actividade no Conservatório Nacional e cria o "Grupo Studium Margarida de Abreu", com sede em Lisboa.
Em 1988 colabora como coreógrafa no filme Os Canibais, sob direcção de Manoel de Oliveira e em 1992, também como coreógrafa, colabora no filme Aqui D'El Rei!, de António-Pedro Vasconcelos.
Margarida de Abreu faleceu a 29 de Setembro de 2006, em Lisboa

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

D. Beatriz 1.ª Duquesa de Beja


A Infanta Beatriz nasceu em 1433 é filha do príncipe D.João, irmão do rei D. Duarte, neta do Mestre de Avis (D. João I), bisneta do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, tia de Isabel “A Católica” (Espanha).
Casou, com o seu primo, o Infante D. Fernando, 1.º Duque de Beja, filho do Rei D. Duarte.
Após a morte do marido em 1470, D.ª Beatriz fica com a responsabilidade de uma das casas mais poderosas de Portugal.
Por morte de D. Diogo, 3.º Duque de Beja, às mãos de D. João II, assume a governação do Ducado.
Teve um papel ativo na política dos reinados de D. Afonso V, D. João II e D. Manuel I. Ajudou a concretizar as pazes com Castela encontrando-se pessoalmente com Isabel, a Católica, acontecimento que conduziu à assinatura do Tratado de Alcáçovas e Terçarias de Moura. Foi também preponderante na gestão da Ordem de Santiago atuando como tutora de seu filho D. Diogo. Nesta qualidade, também foi nomeada pelo Papa como governadora da Ordem de Cristo, tendo sido a única mulher a desempenhar este cargo.
Refira-se que D.ª Beatriz foi mãe de Leonor de Portugal (esposa de D. João II que reino de 1481 a 1495) e de Manuel (D. Manuel I que reinou de 1495 a 1521).
D.ª Beatriz faleceu em 1506 e encontra-se sepultada no Convento Nossa Senhora da Conceição em Beja.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Álvaro Cunhal (1913 - 2005)



Álvaro Barreirinhas Cunhal nasceu em Coimbra a 10 de novembro de 1913 em Coimbra (Sé Nova) e destacou-se como político e escritor. Na sua atividade foi dos mais conhecidos resistentes ao Estado Novo.
Passou a infância em Seia, de onde o pai era natural. O pai retirou-o da escola primária porque não queria que o filho «aprendesse com uma professora primária autoritária e a menina-de-cinco-olhos».
Aos onze anos, mudou-se com a família para Lisboa, onde frequentou o Liceu Camões. Daí seguiu para a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde iniciou a sua actividade revolucionária.
Em 1931, com dezassete anos, filia-se no PCP - Partido Comunista Português e integra a Liga dos Amigos da URSS e o Socorro Vermelho Internacional. Em 1934 é eleito representante dos estudantes no Senado da Universidade de Lisboa. Em 1935 chega a secretário-geral da Federação das Juventudes Comunistas. Em 1936, após uma visita à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), é cooptado para o Comité Central do PCP. Ao longo da década de 30, colaborou com vários jornais e revistas como a Seara Nova e o O Diabo, e nas publicações clandestinas do PCP, o Avante e O Militante, com vários artigos de intervenção.
Em 1940, Cunhal é escoltado pela polícia à Faculdade de Direito, onde apresenta a sua tese da licenciatura em Direito, sobre a temática do aborto e a sua despenalização, tema pouco vulgar para a época em questão. A sua tese, apesar do contexto político pouco favorável, foi classificada com dezasseis valores. Do júri fazia parte Marcello Caetano.
Devido aos seus ideais comunistas e à sua assumida e oposição à ditadura, esteve preso num total de 15 anos, 8 dos quais em completo isolamento sem nunca, incrivelmente, ter perdido a noção do tempo. Mesmo sob violenta tortura, nunca falou. Na prisão, como forma de passar o tempo, dedicou-se à pintura e à escrita. Uma das suas produções mais notáveis aquando da sua prisão, foi a tradução e ilustração da obra Rei Lear, de William Shakespeare.
Em 1962 é enviado pelo PCP para o estrangeiro, primeiro para Moscovo, depois para Paris.
Ocupou o cargo de secretário-geral do PCP, sucedendo a Bento Gonçalves, entre 1961 e 1992, tendo sido substituído por Carlos Carvalhas.
Em 1968 Álvaro Cunhal presidiu à Conferência dos Partidos Comunistas da Europa Ocidental, o que é revelador da influência que já nessa altura detinha no movimento comunista internacional. Neste encontro, mostrou-se um dos mais firmes apoiantes da invasão da então Checoslováquia pelos tanques do Pacto de Varsóvia, ocorrida nesse mesmo ano.
Entretanto, foi condecorado com a Ordem da Revolução de Outubro.
Regressou a Portugal cinco dias depois do 25 de Abril de 1974.
Foi ministro sem pasta no I, II, III e IV governos provisórios e também deputado à Assembleia da República entre 1975 e 1992.
Em 1982, tornou-se membro do Conselho de Estado, abandonando estas funções dez anos depois, quando saiu da liderança do PCP.
Além das suas funções na direcção partidária, foi romancista e pintor, escrevendo sob o pseudónimo de Manuel Tiago, o que só revelou em 1995.
Em 1989 Álvaro Cunhal foi à URSS para ser operado a um aneurisma da aorta, sendo recebido em Moscovo por Mikhail Gorbatchov o qual o agraciou com a Ordem de Lenine. Nos últimos anos da sua vida sofreu de glaucoma, acabando por cegar.
Faleceu em 13 de junho de 2005 e no seu funeral (15 de junho), participaram mais de 250.000 pessoas. Por sua vontade, o corpo foi cremado.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Ambrosio O'Higgins (1720 - 1801)


Ambrosio O'Higgins, Marquês de Osorno, Marquês de Vallenar, Barão de Ballenary nasceu Ballenary na Irlanda no ano de 1720 e destacou-se como militar da coroa espanhola. Foi Governador do Chile e Vice-Rei do Peru.
Como Governador do Chile nos primeiros meses de sua administração passou para a recolha de dados sobre o estado das finanças públicas na arrecadação de impostos, a produção agrícola e de mineração e comércio interno e externo. Extremamente homem metódico, fez uma lista de obras públicas necessárias estabelecendo um plano de 10 anos para as concluir (tempo do seu mandato como Governador).
Na qualidade de Vice-Rei do Peru, deu um forte impulso especialmente em locais de construção, e era conhecido por seus esforços persistentes para melhorar a administração do Vice-Reino, comércio e indústria.
Ambrosia O'Higgins faleceu a 19 de março de 1801 em Lima no Peru.

sábado, 17 de outubro de 2015

D. António Pereira Coutinho (1851 - 1939)


António Xavier Pereira Coutinho nasceu a 11 de junho de 1851 em Lisboa (Santo Estevão) e destacou-se como Professor Universitário na área da botânica.
António Xavier Pereira Coutinho foi um taxonomista de renome, autor de Flora de Portugal (Plantas Vasculares): Disposta em Chaves Dicotómicas (1.ª ed. Lisboa: Aillaud, 1913; 2.ª ed. Lisboa: Bertrand, 1939) e de inúmeros outros trabalhos de Botânica e Sivicultura. Entre as suas primeiras obras publicadas, destaque-se A Silvicultura no Distrito de Bragança (Lisboa: Viúva Sousa Neves, 1882) e o Curso de Silvicultura : Esboço de uma Flora Lenhosa Portuguesa (Lisboa : Academia Real das Ciências, 1887; 2.ª ed. actualizada Lisboa: Direcção-Geral dos Serviços Florestais, 1936). Foi também um grande especialista da filoxera, tendo integrado em 1878 uma comissão de estudo daquela doença da vinha e publicado, entre outras, a obra Tratado Elementar da Cultura da Vinha : Cepas Europeias e Cepas Americanas, Grangeios, Doenças da Videira(Lisboa: Liv. José António Rodrigues, 1903). Foi professor de silvicultores como Joaquim Vieira Natividade.
António Pereira Coutinho faleceu a 27 de março de 1939 em Alcabideche.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Roald Amudsen (1872 - 1928)


Roald Engelbret Gravning Amudsen nasceu em Borge (Noruega) a 16 de julho de 1872 e destacou-se como explorador das regiões polares ao liderar a primeira expedição a atingir o Polo Sul a 14 de dezembro de 1911 utilizando trenós puxados por cães.
Depois de atingir o Polo Sul, em 1911, Amundsen desejava alcançar novas conquistas. De regresso dos Estados Unidos, onde esteve em digressão de conferências, interessou-se pelo mundo da aviação e, em 1914, obteve o seu certificado de voo, o primeiro atribuído a um civil na Noruega. Em 1918, parte para o Ártico, no veleiro Maud mas, depois de dois anos à deriva, não conseguiu chegar ao Polo Norte. Em 1925, organiza a primeira expedição aérea ao Ártico, chegando à latitude de 87º 44' N. Um ano depois, foi o primeiro explorador a sobrevoar o Polo Norte no dirigível Norge, e a primeira pessoa a chegar a ambos os Polos Norte e Sul.
A 18 junho 1928, Roald Amundsen embarca num hidroavião, em Tromso, perto do cabo Norte, para efectuar as buscas do dirigível Itália que levava o aviador Umberto Nobile a bordo; foi a última vez que se teve notícias de Amundsen (julga-se que se terá despenhado próximo da Ilha do Urso).

domingo, 5 de abril de 2015

Manoel de Oliveira (1908 - 2015)


Manoel de Oliveira nasceu 11 de dezembro de 1908, na freguesia de Cedofeita na cidade do Porto no seio de uma família da alta burguesia nortenha, com origens na pequena fidalguia. É filho de Francisco José de Oliveira (MosteiroVieira do Minho, 1865 - ?), industrial e primeiro fabricante de lâmpadas em Portugal, e de sua mulher Cândida Ferreira Pinto (Santo Ildefonso, Porto, 13 de abril de 1875 - Porto, 2 de julho de 1947). Os seus pais casaram-se na freguesia deLordelo do Ouro, na cidade do Porto.
Ainda jovem foi para A Guarda, na Galiza, onde frequentou um colégio de jesuítas. Admite ter sido sempre mau aluno. Dedicou-se ao atletismo, tendo sido campeão nacional de salto à vara e atleta do Sport Club do Porto, um clube de elite. Ainda antes dos filmes veio o automobilismo e a vida boémia. Eram habituais as tertúlias no Café Diana, na Póvoa de Varzim, com os amigos José RégioAgustina Bessa-LuísLuís Amaro de OliveiraJoão Marques e outros. Cedo se interessou pelo cinema, o que o levaria a frequentar a escola do cineasta italiano Rino Lupo, quando este se radicou no Porto5 .
Manoel de Oliveira morre no dia 2 de Abril de 2015, vítima de paragem cardíaca. Era considerado o realizador mais velho em atividade. Era também, dos realizadores no ativo, o único que tinha assistido à passagem do cinema mudo ao sonoro e do preto e branco à cor. Manoel já sofria de doenças cardíaca, mas na madrugada de 2 de abril não resistiu e sofreu uma paragem cardíaca. Como Manoel citou a uma entrevista ao diário de noticias "Para mim é pior o sofrimento do que a morte. Pois a morte, é o fim da macacada". Felizmente o realizador conseguiu concretizar o seu último desejo que era "Quero continuar a fazer filmes até à morte". Cabe agora ao parlamento e à sua famílias, decidir se o corpo vai ser transportado ou não até ao Panteão Nacional (local onde estão as figuras mais emblemáticas de Portugal). Manoel era tratado por muitas pessoas como " O Mestre" como uma forma de respeito, e por ter vivido muitos anos de cinema.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

João de Sousa Carvalho (270 anos do nascimento)

João de Sousa Carvalho
     Nasceu em Estremoz no dia 22 de Fevereiro de 1745 e faleceu provavelmente no Alentejo entre a Quaresma de 1799 e a de 1800.
     Começou os estudos musicais aos oito anos, no Colégio dos Santos Reis Magos, em Vila Viçosa. Protegido pelo rei D. José I, aos quinze anos é enviado para Itália por este monarca com o objectivo de se aperfeiçoar na arte dos sons. Aí ingressa no Conservatório de Santo Onofre de Capuana, em Nápoles. Terá tido como mestres, Nicollo Porpora, Carlo Cotumacci e Joseph Dol e contacto com músicos como Paisiello, Piccini e Cimarosa, e com as tendências do classicismo europeu.
     Regressa a Portugal em 1767, ocupando primeiro o lugar de professor de contraponto e mais tarde, o de mestre de capela no Seminário da Patriarcal, em Lisboa. Aí teve como discípulos António Leal Moreira, Marcos Portugal, João José Baldi, João Domingos Bomtempo e o cantor e compositor italiano Giuseppe Toti.
     Em 1778, João de Sousa Carvalho é nomeado professor de Música da Corte e passa a residir no Palácio Velho da Ajuda. Bem remunerado e casado rico em 1783, leva uma vida desafogada que lhe permite comprar propriedades no Alentejo e no Algarve.
A produção musical autenticada de João de Sousa Carvalho distribui-se por três grandes grupos: Música Dramática, Música Sacra e Música Profana não Dramática.
     A Música Dramática é constituída por dezasseis obras: cinco óperas, dez serenatas e uma cantata.
     A Música Sacra constas de três hinos Te Deum mais duas árias, sete missas, quatro salmos, uma oratória e um motete.
     A Música Profana consta de árias, bem como um dueto e uma cavatina, uma modinha e uma sonata.
     Protagonista no triunfo da música italiana em Portugal, a linguagem de João de Sousa Carvalho não abdica de um certo gosto genuinamente lusitano. Da sua vasta produção destacam-se as óperas l'Amore Industrioso (1769), Testoride Argonauta (1780), bem como as serenatas Perseo (1779) e Penelope nella partenza da Sparta (1782).
     João de Sousa Carvalho foi sem dúvida um dos maiores compositores de toda a história da música portuguesa e um filho ilustre de que a cidade de Estremoz muito justamente se orgulha.


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